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A mostrar mensagens de maio, 2009

Um grande nada

Pela primeira vez desde que comecei nesta terapia, escrevo sem razão alguma. E é esse tão simples facto (ou ausência dele) que me intriga. Não estou naqueles momentos de profunda tristeza ou imensa alegria, pois é neles que encontro mais motivos para escrever. Não, não tenho nada de inteligente e/ou pseudo-filosófico a afirmar. Apeteceu-me apenas, no comboio a caminho de casa depois de mais um dia, pegar na caneta e matar saudades desta sensação de desabafo para um papel. Estupidez ou não, a verdade é esta. Não tenho nada a escrever. Habituei-me ao estado de solteira e aprendi a desfrutar do bom disso. Já não perco tempo em devaneios loucos por ilusões ou por pessoas que me iludem. Sou realista e já percebi como lidar com o que me acontece. Sempre com calma e cabeça fria. Doa o que doer. E é isto. Afinal acabei por escrever algo, mesmo sem ter motivo para o fazer. Há coisas fantásticas, não há?

I dreamed a dream .

Muito tempo de espera até aparecer uma palavra. Algumas vozes que me sussurram que devo fazê-lo para acalmar a sensação. E bastantes dúvidas se realmente isto me ajuda… Julgo-me bem. Sou sincera quando digo que há muito não sentia tal paz. Mas falta sempre algo. Falta algo porque não me dou, porque julgo sempre não conseguir fazê-lo. Continuo com muito por dizer. Porém pô-lo a escrito torna-se tão desprovido de sentido, já tão rotineiro que não sei sequer se ainda vale a pena. Aquilo que sinto não é mais o meu mundo. Mudei de órbita sem me aperceber, girando de forma diferente. Se me perdi? Por momentos. Se me reencontrei? Nem por sonhos. Posso estar a perder algo essencial na minha vida, no meu próprio presente (porque hoje em dia não me permito idealizar). Gostava de me lançar a algo genuinamente. De ainda conservar toda uma ingenuidade que me faria agir sem matutar excessivamente. Eu não complico, eu racionalizo (e quando penso nisto, sinto-me tão estúpida… como posso eu explicar-me...