A medida do querer
Há momentos altamente definidores. Momentos que podem não passar de um mero segundo. Ela sabia-o. Encostada no seu canto, mergulhada nos seus pensamentos. Cabeça a mil. Observando o vazio… esse vazio que se alastrava na imensidão onde se encontrava. Que se estendia até si. Que a inundava. Ah, o vazio. Só isso sentia naquele momento. E não sentia ao mesmo tempo, oh esse ilustre paradoxo do ser. E lá estava ele. Não num canto oposto, mas parecendo estar num outro lado longínquo do mundo. “Sinto-me só, sabias?” – disse ela, fitando-o. Perscrutando toda a sua alma sem pestanejar. – “Sinto-me só e sem ti, completamente vazia. Oca.” E ele lá continuava. Olhando-a, com aqueles olhos marejados de confusão. “Não sei o que fazer. Quero que te decidas por mim. Preciso que me olhes como sou. Quero qu...