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Retornos

Quantos anos passam sem sermos nós mesmos? Quantas vidas que não são nossas vivemos no interregno dos anos? Senti saudades de mim hoje. Descobri-me de novo. Estou a descobrir-me aos poucos depois de todas as camadas que coloquei em mim por outros.  Porra, que bom. A vida é curiosa.  Questiono-me se chegamos a saber, ou vamos apreendendo ao longo do tempo. Se tudo nos é dado à partida, mas decidimos nós relegar para o externo, o que o interno já definiu.  Somos criação ou memória? Somos a partida ou a chegada? Diria que acima de tudo, somos o caminho.  E que bom voltar a ele.

Penso rápido

A chuva que cai lá fora. Ainda que pareça o fim do mundo, há algo reconfortante no estar em conforto quando lá fora tudo está o caos. Por momentos quase que esquecemos que também de dentro para fora esse caos existe. Esse não-sei-o-que-fazer-do-raio-da-vida. Chá ajuda. Diz que pensar também. Diz que ponderar em altíssimos e elevados planos de vida ajudam a ganhar a motivação necessária para os colocar em prática. Aquele "humpf" que nos faz sentir super heróis momentâneos, capazes de mudar o mundo (mas não as nossas vidas). Desculpem-me a ironia mas hoje não me sinto capaz de muito mais. " Agir, eis a inteligência verdadeira. Serei o que quiser. Mas tenho que querer o que for. O êxito está em ter êxito, e não em ter condições de êxito. Condições de palácio tem qualquer terra larga, mas onde estará o palácio se não o fizerem ali. " - Fernando Pessoa

Dilemas emocionalmente mentais

Olhas-me que me baralhas. Responsável por natureza, tenho vontade de cometer loucuras e esquecer dilemas morais contigo. Quando te sinto perto, não sinto tempo. Sinto-te com algo muito próprio meu, e se o tempo quer ditar algo, esse tempo nada me acrescenta. Tempo contigo não são momentos. Talvez não o deva fazer, mas liberto-te libertando as palavras que tenho cá dentro. Se o devo não sei, mas olhas-me de uma forma curiosa. E sentes-me de uma forma que não me permite sentir muito mais. Não tenho por hábito ser tão introvertida emocionalmente. Mas anos de quedas emocionais provocam hematomas à memória e traumas ao coração. Curioso como pouco me mostras e tanto me fazes. Talvez não deva, mas quero-te da mesma forma que me olhas. Quero-te não sabendo se te devo querer. Subitamente deixo de saber se devo. Mas quero. (Oh raios, que "baralhação") Tanto que achamos sempre saber sem saber nada. Tão cheios de nós, até curtos dilemas morais e pequenas dúvidas existenciais n...

Isso.

Há grandes palavras. Grandes atitudes. A vida é feita disso. Já eu prefiro preencher a minha vida de pequenos gestos. Sente mais aquele que muito mostra ou aquele que pouco demonstra? Palavras existem-nas muitas. Gestos perduram na memória de quem os recebe, mais do que palavras se guardam em livros. Porque grandes palavras existem aos milhares, mas grandes gestos são de valor incalculável. Diz o bastante. Mas acima de tudo age. Age em dobro do que dizes, e até do que pensas. Age muito e em consideráveis e generosas quantidades. A vida é muito para não ser sentida. A vida é muito para que não aconteças.

Jogar à defesa

Sou uma pessoa que se posiciona naturalmente à defesa. A vida já me provou por várias vezes que dar tudo nem sempre é a melhor opção. Por esse mesmo motivo, quando surgiste na minha vida, olhei-te com cautela e admirei-te ao longe. Contra tudo o que esperava no entanto, a vontade do mais contigo prevaleceu sobre o medo de me magoar. Se for para doer, então que seja uma dor insuportável por te ter tido. Não quero "morninhos", não sou pessoa disso. Não mais. Ou pelo menos, não contigo. Entrei com precaução, esquentada de passados ainda um pouco presentes. Aos poucos, esses passados foram passando e assumiste a forma dos meus "agoras". E não acredito em "para sempre", mas gostava que o meu "agora" fosse longo. Mesmo com as tuas defesas a debater com as minhas. Quero. Apercebo-me com o passar dos dias, que te tornaste uma parte importante do meu dia-a-dia. Mesmo que ao longe, se estiveres perto, estou bem. E mesmo soando a um cliché intratável, ...

Personal

Descobre que te bastas. Aventura-te por aí contigo mesmo. Apaixona-te pelas tuas manias, pelos teus pormenores mais estranhos. Como gostas de chocolate amargo com leite condensado, como em certos dias adoras até o cheiro de gasolina dos carros que passam. Tudo isso és tu. Descobre-te. Aventura-te por ti. Para ti. Descobre que aquela pessoa te acrescenta. Aventura-te num mundo contigo mesmo na companhia dele. Apaixona-te pela maneira dele. Pela forma como ele te faz fraquejar, pela forma como a mudança ligeira no tom de voz te faz tremer, rir, sorrir ou corar. Pelas manias dele. Como ele come, fala ou a forma como o sorriso dele deixa o teu mundo do avesso. Como ele gosta de coisas que nem nunca ouviste falar mas o ouves como se ele fosse o teu euromilhões. Porque se calhar é-o mesmo. Descobre como se gosta. Como se apaixona por alguém. Como se ama sem amarras e com tempo e espaço para respirar. Aprende que a serenidade que sentes e a calma que transmites é o expoente supremo ...

Freudian slips

Hoje estou em modo "Pedro Chagas Freitas". Sem papas na língua. É do caralho nunca ser suficiente. Tentas, cais, aprendes, mudas. Voltas a tentar, voltas a cair, aprendes mais e mudas mais um pouco. ... E a porra nunca passa disso. Chateia. Chateia como tudo. Queres, vais, lutas. Veni vidi vici, uma ova. A vida nem sempre é cabra. Mas quando é? Afasta-te porque a marrada vai doer. Magoa que o muito que faças seja pouco para tantos. Que caias, esfoles os joelhos todos, que a queda te corte metaforicamente toda a carne que possuis no corpo e (ainda assim) isso não baste. Que, ainda assim, não bastes. (...dói. Como a merda.) "Somos feitos de carne, mas temos de viver como se fossemos de ferro." - Sigmund Freud