On my own

Não sei que nome lhe dão. Consciência, diabinho versus anjinho talvez. Eu chamo-lhe luta profunda entre o coração e a cabeça. Entre a emoção e a razão.
Em mim não há uma consciência vestida de diabo ou uma outra de anjo. Não vejo nisso utilidade alguma. Há uma faceta que me pede que pense mais com o sentir e outra que luta com isso.

Lutei contra ambas. Na esperança (vã) de conseguir pensar por mim. Mas, talvez por um acaso, dobraste a esquina e todas as minhas teorias, equações, fórmulas, contas de soma ou subtrair se baralharam e não mais voltaram a fazer sentido.

Não sei onde está o coração e a cabeça, se ainda pairam pelo meu corpo as suas formas, pois tudo me aparece abstrato. O diabo põe as asas e o anjo veste-se de vermelho. “Luta, não baixes os braços.” Não dão opiniões distintas, não discutem entre eles. Há consenso onde eu queria que existisse guerra...

Não vejo utilidade nisto. Já o disse. Preciso de batalhas pelo melhor, não consensos tácitos entre duas entidades que deviam ser opostas.

Não quero um “Vai e luta” supremo. Quero por um lado um “Se não tentares nunca saberás se poderia ser mais.”, ou por outro um “Não o faças, depois magoa mais.” A margem torna-se maior. E na equação passaria também eu a entrar. Assim sou excluída, escorraçada da minha própria faculdade de decisão. Perco-me fora das minhas probabilidades, mas encontro-me no centro desta matemática de loucos.

Onde estou no zero à esquerda, à direita, nos números todos e equações. Mas onde queria apenas ser o “igual a”, a resposta.

Onde andam eles? Tu, que (possivelmente) por um acaso me baralhaste os raciocínios, ajuda-me a procurar.



Tragam-me de novo toda a frontalidade e clareza de pensamento... e toda a ingenuidade do sentir.

Ou então dá-me apenas o tempo. Aquele que ajuda cientistas a descobrir fórmulas que transformam mundos ou que nos facilitam a existência.


Não quero respostas unânimes. Dêem-me luta, porque sem ela, sinto-me despida de mim.

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