Desabafo

E ali estava ela…
A morrer por dentro, todos os pedaços chorando pelo que havia feito… pelo que sabia agora ter sido o maior erro da sua vida…
Uma lágrima… duas… três… escorrendo, mas não pelos seus olhos (pois a sua expressão aparentava calma, aparentava aquilo que ela fingia sentir) … Não, o que chorava era o seu coração… inundando-a.

Inundando-me de um sentimento que nunca senti. Dor? Mágoa? Arrependimento? ... Não saberia dizê-lo… A única certeza que tinha é que estava infeliz e a culpa disso era minha.
E aqui estou eu…
A morrer por dentro…
Julgando-me, condenando-me… sentindo-me inútil e completamente dispensável…
Guardando um sentimento que já não parece importar… por uma pessoa que já não se parece importar… Caindo num abismo… já sem me importar…

E no fundo o seu desejo era voltar atrás… Remendar tudo…
A sua ambição naquele momento era escrever um grande texto, algo que realmente colocasse a escrito o que lhe ia na alma … e simplesmente não conseguia. Tinha milhares de palavras presas na garganta, milhões de lágrimas por escorrer… nada do que dissesse seria suficiente e por muito que chorasse nunca seria bastante.

Perdera o único homem que amara e amava… e porquê? … Pura e simplesmente porque se iludira… e essa ilusão tinha feito com que errasse.
Errara… tinha consciência plena disso. E esse erro custara-lhe a vida…
Pois ao perdê-lo, perdera a sua vida… porque ele ERA a sua vida…
E ali estava ela…
A morrer por dentro…
Sem saber que fazer, sem saber o que pensar, sem saber como agir… agora que lhe diziam já ser tarde.

Agora que grande parte dela lhe dizia que não queria desistir… que de uma história assim não poderia desistir sem luta…
Agora que o coração lhe gritava insistentemente o nome daquele que amava… e agora que a sua cabeça sabia o que queria de verdade… agora era tarde.
E a luta? … A luta era para os fortes e para aqueles que não tinham medo de perder, os corajosos.

E aqui estou eu…
A morrer por dentro…
Sem forças nem coragem para lutar. Apesar de ser isso que quero fazer.
Uma lágrima... uma outra… muitas correm agora… incessantes… e nelas reside a inexorável realidade… A ilusão do sempre desvaneceu-se.

E aqui continuo eu…
Cada vez mais a morrer por dentro…

E aqui continuarei eu…
E aqui estarei sempre…
Até um dia em que deixarei de morrer por dentro…
Um dia em que estarei realmente vazia… e que poderei dizer…

“E aqui estou eu… como sempre estive desde que partiste…
Morta por dentro.”


16 Março 2008

Comentários

Mensagens populares deste blogue

On my own

Personal

Isso.