Fases
Não me julgo o Alpha e o Ómega. O tudo e o nada. Não me tomes como perfeita, porque de perfeição só entendo o que leio nos livros. Da definição que desse conceito tenho, tão diferente da dos outros. E no entanto tão semelhante pois reside na mesma base: a ilusão.
Sou aquilo que aprendi com as experiências do passado, e com as lições que delas tirei para o
presente. E acima de tudo, sou os sonhos que tenho para o futuro.
Sou uma mão cheia de nada. Ou uma mão vazia de tudo?... Não saberia dizê-lo. Sou como a lua… de fases. Sou por vezes cheia de mim, minguante quando me torno pequena aos meus olhos, ou crescente quando aos olhos dos outros… e nova, se renasço. Depois da tempestade, do insulto, do erro, da queda. Depois da experiência. Nova quando aprendo.
Nova quando entendo. Quando vivo o momentos. Bons, maus. Não há grande diferença porque tudo é vida. Experiência. Recordações. Acima de tudo, aprendizagem.
Fases.
Não pretendo ser o ideal de alguém. Ouso ser apenas eu. Todos os dias. Em todas as fases. Todas as minhas facetas. A divertida, a conselheira, a amiga, a orgulhosa, a teimosa, a amorosa, a preocupada, a corajosa, … Tudo o que sou realmente, e não aquilo que me “pintam” ou me julgam ser.
Anseio apenas pelo razoável. Não sonho com o inatingível. Creio profundamente que os impossíveis somos nós que criamos, e alegro-me apenas com os improváveis.
Fases.
Anseio pelo que julgo impossível. Os improváveis são então insuficientes.
E porque mudo de realista a sonhadora? Chama-se paixão. Sentimentos arrebatadores que me fazem perder a razão. Não por completo, mas quase.
Contudo, nunca desejo o infinito. Não. Por vezes peço apenas o universo. Por vezes prometo o ininteligível. Garanto o tudo e repudio o nada. Crio expectativas baseadas num delírio. Asseguro algo a alguém, porque julgo que assim o será. E depois, não o é.
Fases.
E no fim que sou?... Uma mão cheia d nada?... Uma mão vazia de tudo?... Não. Sou apenas eu.
Ouso sê-lo todos os dias. Em todos os meus ângulos. Todas as minhas facetas expostas. Tantas como um diamante, mas nem todas tão bonitas.
Nunca me julgo o Alpha e o Ómega. E não quero que me vejas como perfeita.
O que é a perfeição?... Por muito que tentasse, não saberia sequer dizê-lo.
Joana, 1 de Agosto 2008
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