Que fazer?
O que pode alguém fazer quando perde aquele que ama? ...
Chorar? …
Culpar-se? …
Fingir? …
Desistir? …
Lamentar-se? …
Não… nada serve… no entanto é o que fazemos. Choramos pelo que foi e nunca mais será, culpamo-nos por acharmos que tudo foi por nossa causa, chegamos a fingir que está tudo bem, desistimos de lutar por nós e lamentamo-nos pelo porquê do que era não mais voltar a sê-lo…
E tudo isto para quê?... Admitamos… Apenas prolongamos o sofrimento porque é o que sobra do passado. Pensamos no que foi, recordamos os sentimentos e revivemos os momentos. Guardamos as fotos, as conversas, os presentes, tudo bem perto de nós. Preservamos as lembranças, as recordações do que fomos, do que sentimos e do que fizemos. De tudo o que temos dessa pessoa. E porquê? … porque recordar é tudo o que nos resta.
Porque recordar é reviver a ilusão do sempre … A ilusão que alimentamos quando duas pessoas são uma.
Porque recordar é revivê-la uma… e outra… e outra… e outra vez…
E então recordamos para nos iludirmos, porque temos medo de encarar a realidade.
Aquela realidade em que vivemos quando a ilusão do sempre desaparece e quando as duas pessoas voltam a ser isso mesmo… duas pessoas, distintas e separadas.
A realidade inexoravelmente fria e de sofrimento. A constatação de que estamos sozinhos… De que a luta que travámos foi em vão… De que tudo o que fizemos apenas nos trouxe aquele momento de mágoa e dor.
E então fartos de sofrer, convencemo-nos que já é passado e passamos a iludir (para além dos outros) também a nós próprios. E é aí que mudamos. É aí que perdemos a ingenuidade do antes, e a alegria que o sentimento nos trouxera… e que simplesmente já lá não está. Porque a razão de tudo isso desapareceu.
E então mudamos. Amadurecemos. Criamos uma barreira e julgamo-nos fortes. Senhores do mundo (porque supostamente já nada nos afecta).
Um dia ao passear, vem uma recordação… de um gesto, de uma palavra, de um lugar, de um beijo ou de um simples olhar… e aí tudo se desmorona. A frieza, a máscara, a cegueira de que tudo era passado. E então choramos. Uma lágrima… outra… outra… outra… e então não conseguimos parar.
Porque tudo o que nos resta é recordações… e as recordações cavam fundo no nosso coração.
E aí, tudo o que temos são as lágrimas… as marcas de que não é passado… e que, ao contrário do que pensámos está bem presente… E que nos marcará o futuro.
E deixamos de lutar para fingir que passou… caímos no abismo sem dar conta e sem repararmos nisso, por lá permanecemos.
Os amigos preocupam-se e nós nem ligamos. Sentimo-nos sozinhos, afastados de todos (e a culpa disso é nossa e nem nos apercebemos) … e no sofrimento vamos sobrevivendo.
E o tempo passa mas não deixa de doer.
O tempo ajuda mas não torna as coisas mais fáceis.
E o tempo leva o seu tempo.
E depois do virar de costas, tudo o que nos resta são as memórias.
E depois do adeus, tudo o que nos fica é a saudade.
17 Março de 2008
Chorar? …
Culpar-se? …
Fingir? …
Desistir? …
Lamentar-se? …
Não… nada serve… no entanto é o que fazemos. Choramos pelo que foi e nunca mais será, culpamo-nos por acharmos que tudo foi por nossa causa, chegamos a fingir que está tudo bem, desistimos de lutar por nós e lamentamo-nos pelo porquê do que era não mais voltar a sê-lo…
E tudo isto para quê?... Admitamos… Apenas prolongamos o sofrimento porque é o que sobra do passado. Pensamos no que foi, recordamos os sentimentos e revivemos os momentos. Guardamos as fotos, as conversas, os presentes, tudo bem perto de nós. Preservamos as lembranças, as recordações do que fomos, do que sentimos e do que fizemos. De tudo o que temos dessa pessoa. E porquê? … porque recordar é tudo o que nos resta.
Porque recordar é reviver a ilusão do sempre … A ilusão que alimentamos quando duas pessoas são uma.
Porque recordar é revivê-la uma… e outra… e outra… e outra vez…
E então recordamos para nos iludirmos, porque temos medo de encarar a realidade.
Aquela realidade em que vivemos quando a ilusão do sempre desaparece e quando as duas pessoas voltam a ser isso mesmo… duas pessoas, distintas e separadas.
A realidade inexoravelmente fria e de sofrimento. A constatação de que estamos sozinhos… De que a luta que travámos foi em vão… De que tudo o que fizemos apenas nos trouxe aquele momento de mágoa e dor.
E então fartos de sofrer, convencemo-nos que já é passado e passamos a iludir (para além dos outros) também a nós próprios. E é aí que mudamos. É aí que perdemos a ingenuidade do antes, e a alegria que o sentimento nos trouxera… e que simplesmente já lá não está. Porque a razão de tudo isso desapareceu.
E então mudamos. Amadurecemos. Criamos uma barreira e julgamo-nos fortes. Senhores do mundo (porque supostamente já nada nos afecta).
Um dia ao passear, vem uma recordação… de um gesto, de uma palavra, de um lugar, de um beijo ou de um simples olhar… e aí tudo se desmorona. A frieza, a máscara, a cegueira de que tudo era passado. E então choramos. Uma lágrima… outra… outra… outra… e então não conseguimos parar.
Porque tudo o que nos resta é recordações… e as recordações cavam fundo no nosso coração.
E aí, tudo o que temos são as lágrimas… as marcas de que não é passado… e que, ao contrário do que pensámos está bem presente… E que nos marcará o futuro.
E deixamos de lutar para fingir que passou… caímos no abismo sem dar conta e sem repararmos nisso, por lá permanecemos.
Os amigos preocupam-se e nós nem ligamos. Sentimo-nos sozinhos, afastados de todos (e a culpa disso é nossa e nem nos apercebemos) … e no sofrimento vamos sobrevivendo.
E o tempo passa mas não deixa de doer.
O tempo ajuda mas não torna as coisas mais fáceis.
E o tempo leva o seu tempo.
E depois do virar de costas, tudo o que nos resta são as memórias.
E depois do adeus, tudo o que nos fica é a saudade.
17 Março de 2008
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