Uma sala vazia
Uma sala vazia. Um silêncio indeciso. Sabe tão bem mas faz-me tão mal.
São tão bons estes instantes… silêncio, serenidade, paz… e, solidão. E é por isso que fazem tão mal. Afastam-nos dos outros, aproximando-nos apenas de nós próprios. Não é de todo mau este encontro connosco próprios. Não é. É óptimo, quando q.b. … Quando em demasia enjoa, cansa… e torna-nos apenas em seres solitários. E isso não faz lá muito bem.
Mas vamos aguentando. Mentindo a nós próprios, dizendo que tudo está bem. Porém não está. Devaneamos, deambulamos… em marasmo e isolamento. Não melhores que um eremita.
Mas porquê a solidão? Se do homem se diz um ser sociável, parece-me a mim que esta apenas serve para mostrar o oposto do que é ser humano. Só sabemos o que é este “estar só” porque o natural é estarmos com os amigos, com a família, com os outros… estamos com várias pessoas e isso não significa que nos sintamos realmente acompanhados.
Lembro-me da minha infância. Natais em família, todos reunidos. Por momentos esquecendo as picardias e falsidades. Momentos em que éramos verdadeiramente família. No fundo, o que menos importava eram as prendas. O essencial eram os sorrisos, as gargalhadas, a convivência. A sala com a música, onde se dançava e gracejava. A cozinha com os aromas. Deliciosos, inebriantes, inesquecíveis. As “palestras” entre senhoras sobre os acontecimentos da semana, do mês, do ano inteiro, as recordações. Balanços de uma vida.
As saudades. Prova que a vida não está a passar-me ao lado. Que tem significado. Que tudo faz sentido.
E enquanto não compreendemos esta tão elementar verdade, vamos aguentando. Porque foi o que sempre nos incitaram a fazer. Caímos ao chão? Temos um desgosto de amor?
“Aguenta… há-de passar!” …
“O Tempo ajuda sempre.”
Vou experimentar um dia falar com esse personagem. Se tem resoluções para tudo podia ser que me ajudasse. Ou pelo menos fazia-me companhia. Porque ter como camarada a solidão... já chateia.
Porque é por ela que me sinto resguardada.
É engraçada e irónica esta situação. Por pessoas estou acompanhada. Estou na mesma sala com algumas pessoas mas sinto-me como se estivesse só. Lá está, … a solidão sinto-a ao meu lado. Sempre. A única companhia quando estou rodeada por multidões.
Uma sala que aos poucos se vai enchendo. De pessoas que riem, falam, gritam… (Que barulho)…
E eu ali, “acompanhadamente” só.
Que saudades da minha infância, quando me sentia realmente completa e guardada. Como ansiava por voltar atrás apenas para reviver tudo mais uma vez.
Que saudades da sala vazia. Da calma. Do silêncio… aquele silêncio que até pode fazer-me muito mal…
Mas que sabe tão bem…
*Joana, 28 Abril*
São tão bons estes instantes… silêncio, serenidade, paz… e, solidão. E é por isso que fazem tão mal. Afastam-nos dos outros, aproximando-nos apenas de nós próprios. Não é de todo mau este encontro connosco próprios. Não é. É óptimo, quando q.b. … Quando em demasia enjoa, cansa… e torna-nos apenas em seres solitários. E isso não faz lá muito bem.
Mas vamos aguentando. Mentindo a nós próprios, dizendo que tudo está bem. Porém não está. Devaneamos, deambulamos… em marasmo e isolamento. Não melhores que um eremita.
Mas porquê a solidão? Se do homem se diz um ser sociável, parece-me a mim que esta apenas serve para mostrar o oposto do que é ser humano. Só sabemos o que é este “estar só” porque o natural é estarmos com os amigos, com a família, com os outros… estamos com várias pessoas e isso não significa que nos sintamos realmente acompanhados.
Lembro-me da minha infância. Natais em família, todos reunidos. Por momentos esquecendo as picardias e falsidades. Momentos em que éramos verdadeiramente família. No fundo, o que menos importava eram as prendas. O essencial eram os sorrisos, as gargalhadas, a convivência. A sala com a música, onde se dançava e gracejava. A cozinha com os aromas. Deliciosos, inebriantes, inesquecíveis. As “palestras” entre senhoras sobre os acontecimentos da semana, do mês, do ano inteiro, as recordações. Balanços de uma vida.
As saudades. Prova que a vida não está a passar-me ao lado. Que tem significado. Que tudo faz sentido.
E enquanto não compreendemos esta tão elementar verdade, vamos aguentando. Porque foi o que sempre nos incitaram a fazer. Caímos ao chão? Temos um desgosto de amor?
“Aguenta… há-de passar!” …
“O Tempo ajuda sempre.”
Vou experimentar um dia falar com esse personagem. Se tem resoluções para tudo podia ser que me ajudasse. Ou pelo menos fazia-me companhia. Porque ter como camarada a solidão... já chateia.
Porque é por ela que me sinto resguardada.
É engraçada e irónica esta situação. Por pessoas estou acompanhada. Estou na mesma sala com algumas pessoas mas sinto-me como se estivesse só. Lá está, … a solidão sinto-a ao meu lado. Sempre. A única companhia quando estou rodeada por multidões.
Uma sala que aos poucos se vai enchendo. De pessoas que riem, falam, gritam… (Que barulho)…
E eu ali, “acompanhadamente” só.
Que saudades da minha infância, quando me sentia realmente completa e guardada. Como ansiava por voltar atrás apenas para reviver tudo mais uma vez.
Que saudades da sala vazia. Da calma. Do silêncio… aquele silêncio que até pode fazer-me muito mal…
Mas que sabe tão bem…
*Joana, 28 Abril*
Comentários