Conversas comigo mesma (ode ao feminismo)

“B” – “Estava a pensar na vida… que se passa hoje em dia com os homens?”

“C” – “Ao contrário das mulheres, estão a “desevoluir”.”

“A” – “Eu não acho nada. Há rapazes tão queridos e cavalheiros!“

“C” – “Espera lá, estamos a falar no mesmo século?! Ainda acreditas no príncipe encantado, certamente.”

“B” – “Eu cá acho que estão a ser muito radicais.”

“A” – "Príncipe encantado, alma gémea… porque não? Todos temos direito a amar e ser amados.”

“C” – “Só balelas! “Olha pra mim tão feliz. A saltar por jardins repletos de flores em busca do TAL” (voz de menininha sonhadora). Tretas. Não há pessoas perfeitas, há apenas pessoas certas a dada altura.”

“A” – “És demasiadamente pessimista tu.”

“C” – “Pessimista não diria. Sou apenas realista e profundamente céptica. Para quê sonhar com um sentimento perfeito se nós próprios não o somos? Para mim não faz sentido. É só a minha opinião.”

“B” – “Ela pode ter alguma razão. Mas também podemos viver sonhando com coisas, mesmo sem termos como certo que alguma vez as iremos ter.”

“A” – “Claro! Eu por exemplo gostava de ser médica!”

“C” – “Obviously! E para teres isso, só precisas de passar anos e anos a queimar pestanas e bajular professores. Isto se não tiveres de fazer “anos extra” porque nem todos vão pelo “suborno emocional”.”

“B” – “Claro que, para termos o que desejamos, temos sempre de lutar por isso. E tu que gostavas de ser?”

“C” – “Eu? Adoraria do fundo do coração ser da política. Aquela mestria a prometer, e aquela técnica a fugir ao prometido. Mas pronto, vou ver se entro na PJ, para inspectora. Ao menos aí trabalha-se a sério.”

“A” e “B” – PJ?? A sério?? Isso é muito fixe! Gostas mesmo dessa profissão?”

“C” – “A bem dizer, que sei eu do que é ser inspectora? Se gosto da profissão? Gosto da ideia. O que vejo nos CSI’s, e naquelas grandes casos polémicos de meninas inglesas que desaparecem. Isso é desafiante.”

“B” – “Eu acho que é uma profissão muito difícil!”

“A” – “Eu acho piada. Mas queria mesmo era ser médica ou enfermeira. Ajudar as pessoas!”

“B” – “Isso é muito nobre da tua parte. Mas voltando ao assunto anterior, que será que se passa hoje em dia no universo masculino?”

”A” – “Eu não acho que se passe nada. Sempre houve pessoas boas e pessoas que não eram tão boas.”

“C” – “Sim claroooo! ... É tudo uma questão de maus e bons, como nos desenhos animados! Então quando se fala de desejos futuros, adoro aquela pergunta “Então que curso estás a tirar? Direito? Que fixe! Vamos então ter advogada?”, e quando respondo que não, que quero ser inspectora, aquele cliché “UI, q sexy! Então tenho de me portar bem. Ou então porto-me mal para te ter sempre atrás de mim!!” A originalidade e subtileza masculina não param de me surpreender.”

“A” – “Ai pá! És tão mazinha tu. Esses piropos têm a sua piada.”

“B” – “Eu cá também acho isso. Farto-me de rir com aqueles senhores das obras que parece que aprendem a dizer piropos por acartarem com os baldes de massa.”

“C” – “Sim realmente, aqueles cursos intensivos são revigorantes para as meninas que passam com brutas mini-saias e seus tops decotados. Ou com roupas hiper mega justas, mesmo que saiam umas banhinhas dos lados. É de rejubilar.”

“A” e “B” riem.

“A” – “Mas concluindo, eu cá acho que não podemos ser mazinhas. Ainda há homens de jeito no mundo!”

“B” – “Eu concordo. Pode haver alguns estranhos e parvos, mas também há aqueles que parecem que nos levam em contos de fadas.”

“C” – “Há claro. Daqueles que parece que nos transportam em histórias de encantar e depois nos deixam cair. Esses sim são os melhores de todos. Esses “projectos de homem” que para aí andam.”

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