Duvidando, sigo caminho.
Estou certa de que pouco saberei. E se houver, a dado momento, algo a tomar como certo, aprendi com a vida a mantê-lo na dúvida. A maior ingenuidade que existe é tomarmos como absoluto o que nos é dito ou aquilo que julgamos saber.
É a dúvida que nos faz errar, tornar a arriscar, experienciar, lutar. Que nos ensina a nunca nos conformarmos com o óbvio e a buscar aquele algo mais que poderia então fazer toda a diferença, numa existência baseada em devaneios e rotinas.
Ignoro o porquê de perseverar nesta demanda para rabiscar dissertações com filosofias que a todos possam servir, mas que, acima de tudo, traduzam aquilo que vivi e que apreendi com as minhas interrogações.
Mantenho-me na ignorância quanto a tudo o que questionei. Sou a mesma Joana que hesita diariamente, que luta dia a dia em busca de um “higher goal”, que planeia manter-se “sóbria” para conseguir apoiar aqueles que toma por importantes. Se consigo? Isso seria outra análise que daria (certamente) azo a mais textos de deliberações inúteis.
Amei, chorei, gritei, falei (às vezes demais), cantei, saltei, sorri, gargalhei, cansei, dancei… estaria aqui quase que eternamente se quisesse colocar a escrito todos os verbos que passaram pela minha vida até hoje.
Mas não quero. O que passou é passado.
Resta apenas saborear o que o presente dá para engrandecer cada vez mais o futuro.
Não saberia dizê-lo melhor do que outrora Pessoa, no seu rosto de Campos:
“Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Génio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho génios como eu,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim.
Em todos os manicómios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim...
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
Não estão nesta hora génios-para-si-mesmos sonhando?
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas -
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta
E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
E ouviu a voz de Deus num poço tapado.”
Génio? Sábio? Não desejaria conservar nenhum dos dois rótulos. Por um único e simples motivo. São os que menos duvidam. E a partir de certa circunstância, tornam-se obsoletos. Amarrados a certezas que vigoraram como leis mas que foram revogadas, ou como tendências que rapidamente passam de moda.
Gosto da simplicidade da inteligência dos pequenos. Que não precisam de subir as escadas para terem noção que somos apenas isto. Seres imperfeitos com propensões para genialidade, que têm noção que, mesmo sem pedestais, podem alcançar as estrelas. Apenas hesitando. Porque são as hesitações que nos fazem acautelar o caminho mas ainda assim seguir em frente, que nos fazem errar mas nos instruem.
Enfim, que nos colocam os obstáculos à priori, que nos minam o caminho no “durante”e que no epílogo das nossas experiências nos trazem o amargo da derrota, o doce do sucesso ou o agridoce de um “quase”.
E que, apesar de tudo e contudo, nos fazem amadurecer.
Porque na ingenuidade da razão absoluta reside o maior erro.
E na simplicidade da dúvida, o maior trunfo.
É a dúvida que nos faz errar, tornar a arriscar, experienciar, lutar. Que nos ensina a nunca nos conformarmos com o óbvio e a buscar aquele algo mais que poderia então fazer toda a diferença, numa existência baseada em devaneios e rotinas.
Ignoro o porquê de perseverar nesta demanda para rabiscar dissertações com filosofias que a todos possam servir, mas que, acima de tudo, traduzam aquilo que vivi e que apreendi com as minhas interrogações.
Mantenho-me na ignorância quanto a tudo o que questionei. Sou a mesma Joana que hesita diariamente, que luta dia a dia em busca de um “higher goal”, que planeia manter-se “sóbria” para conseguir apoiar aqueles que toma por importantes. Se consigo? Isso seria outra análise que daria (certamente) azo a mais textos de deliberações inúteis.
Amei, chorei, gritei, falei (às vezes demais), cantei, saltei, sorri, gargalhei, cansei, dancei… estaria aqui quase que eternamente se quisesse colocar a escrito todos os verbos que passaram pela minha vida até hoje.
Mas não quero. O que passou é passado.
Resta apenas saborear o que o presente dá para engrandecer cada vez mais o futuro.
Não saberia dizê-lo melhor do que outrora Pessoa, no seu rosto de Campos:
“Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Génio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho génios como eu,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim.
Em todos os manicómios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim...
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
Não estão nesta hora génios-para-si-mesmos sonhando?
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas -
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta
E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
E ouviu a voz de Deus num poço tapado.”
Génio? Sábio? Não desejaria conservar nenhum dos dois rótulos. Por um único e simples motivo. São os que menos duvidam. E a partir de certa circunstância, tornam-se obsoletos. Amarrados a certezas que vigoraram como leis mas que foram revogadas, ou como tendências que rapidamente passam de moda.
Gosto da simplicidade da inteligência dos pequenos. Que não precisam de subir as escadas para terem noção que somos apenas isto. Seres imperfeitos com propensões para genialidade, que têm noção que, mesmo sem pedestais, podem alcançar as estrelas. Apenas hesitando. Porque são as hesitações que nos fazem acautelar o caminho mas ainda assim seguir em frente, que nos fazem errar mas nos instruem.
Enfim, que nos colocam os obstáculos à priori, que nos minam o caminho no “durante”e que no epílogo das nossas experiências nos trazem o amargo da derrota, o doce do sucesso ou o agridoce de um “quase”.
E que, apesar de tudo e contudo, nos fazem amadurecer.
Ser melhores. Ser maiores.
Ser génios e sábios preenchidos por hesitações.
Ser génios e sábios preenchidos por hesitações.
Porque na ingenuidade da razão absoluta reside o maior erro.
E na simplicidade da dúvida, o maior trunfo.
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