Talvez isto..

Acho que é de “bom tom” assinalar esta época festiva com mais uma reflexão (que realmente ninguém lê).

O que sabemos nós do que é o Natal?
A ideia unânime é que é uma festa realizada todos os anos no início do Inverno, que simboliza (para os cristãos) o nascimento de Jesus, o Filho de Deus. Apregoa-se aos “sete ventos” os “sentimentos natalícios”, a solidarização, o perdão, o amor, etc.
Todos os desejos reconfortantes que apenas abrangem os que têm uma vida boa e não aos que (por exemplo) passam fome em África. Aproveitamos a época para dizer que gostamos muito da família, que somos felizes, que queremos paz no mundo (fora as Misses que o dizem todo o ano, nós apenas o repetimos no Natal e na Páscoa), que ambicionamos que todos possam ter uma vida nobre.
Depois vêem as campanhas para podermos ajudar quem mais necessita. Que fazemos então? Ao bom estilo “luso-natalício” (não que seja uma característica própria do povo lusitano, mas um defeito globalizado), viramos a cara ou dizemos “não tenho dinheiro”. Só hipocrisias.
Não há dinheiro, mas há centros comerciais cheios de pessoas. Autênticas formigas trabalhadoras, mas que neste caso apenas se movimentam de loja em loja em busca da prenda para este ou aquele membro da família.

Não escrevo um texto para criticar o que quer que seja.

É a minha mais sincera opinião, e penso ser livre de a ter e expressar.


Mas afinal o que é hoje em dia o Natal?
Consumismos numa fase de escassez de “fundos”?
Falsidades numa humanidade cada vez mais propensa ao egoísmo e ao egocentrismo?

Gostaria do fundo do coração, de pregar um mundo muito melhor do que este com que me deparo todos os dias, mas apenas traduzo o que vejo e que, aliás, todos podem ver também.

Apesar de tudo, não me considero uma pessimista ou uma individualidade profundamente céptica naqueles sentimentos que pairam sobre as nossas cabeças (infelizmente e apenas) nesta época do ano. Reflectindo sobre este assunto, unicamente numa base de realismo e de (quase) científica e imparcial posição, é o que concluo. O que nos governa? O poder e o dinheiro. E ate já o Natal foi minado por (pelo menos) a segunda máxima – o dinheiro.

Não tento ter um discurso de Miss de “Paz e Igualdade para todo o Mundo”, peço algo tão elementar como um reflectir sobre isto. Sei que sou apenas “uma gota num oceano”… Mas é delas que ele é formado.

Ainda assim, e apesar de tudo o que reflecti não espelhar um panorama auspicioso, ressalvo (com toda a alegria) aquelas pessoas que fogem à regra. Que realmente ajudam. Que são verdadeiras consigo. Que dão por quererem ou que conseguem ser autênticas ao ponto de dizer que em nada destas coisas acreditam. O meu apreço por essa humanidade.

Eu acredito num Natal tradicional. Não um consumista ou hipócrita.
Porque não tenho para dar. E também nada peço a quem de mim gosta.

Sou crente no Natal com a família, para relembrar o passado ou fazer balanços de vida.
Crente num sorriso que, em termos de valor, ultrapassa uma mala ou um telemóvel.
Crente que ainda há muita coisa boa nesta época natalícia.

E não desejo criticar este Natal globalizado. Mas aspiro a fazer a diferença.

Um Bom Natal a todos. :)

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