Humanidade
Uma pequena multidão numa paragem de autocarro. 8 da noite. Os pensamentos já povoados de toda uma sensação de família e conforto que os esperam em casa. Depois de mais um dia de trabalho, entre tantos outros, entediantes e rotineiros.
Um rapaz dos seus 20 e meios anos que aparece. “ Boa noite. Antes de me julgarem um drogado, bêbedo ou ladrão, peço-vos um minuto da vossa atenção.
Eu e a minha mulher somos sem-abrigo à dois anos. Já tentámos de várias formas arranjar trabalho, mas não temos conseguido. Conto-vos isto, porque roubar, drogar-me ou beber até cair são contra os meus princípios e, então, sem outra opção tenho de mendigar.
Apesar de tudo, à 17 dias, tive a maior alegria que um homem pode ter. Fui pai… vejam, a minha linda mulher e o meu filho ali, do outro lado da rua. (emoção nos olhos) Por estar já a entrar em desespero e não saber o que mais fazer, é que vos pedi este momento. Na esperança que entendessem a minha situação e me pudessem talvez ajudar.”
Uma senhora (dona do seu nariz, cinquentona) interrompe: “ Pois filho! Mas não vou dar do dinheiro que ganho em dez horas de trabalho por dia. Trabalhe que tem bom corpo para isso!”
E ele continua: “Minha senhora, se pudesse trabalhava 20 horas todos os dias, mas infelizmente não me arranjo emprego em lado algum. De qualquer forma, fico muito agradecido pela vossa atenção. Um resto de boa noite.” E afasta-se, de cabeça erguida.
Uma rapariga entre a pequena multidão. Que pensa o que se passará com o mundo. Que tenta entender o porquê de tanta raiva. Que admira a dignidade daquele rapaz. Quantas pessoas sem-abrigo têm este controlo sobre a sua humanidade e esta tamanha humildade perante pessoas hipócritas (para quem a ajuda ao outro só é significativa no Natal)? É realmente admirável.
E o autocarro que chega. A pequena multidão que se encaminha para o seu conforto, a sua família, o seu canto… o seu tecto. Não mais se lembrando da pessoa que passou, com a família do outro lado da estrada, mas sem um tecto.
E a rapariga que apanha o autocarro. Não esquecendo aquele rapaz e as suas palavras. Remoendo pelo facto de não ter podido fazer algo para ajudar, e por não poder colocar bom senso na cabeça daquela mulher.
Cabisbaixa. Pensativa. Comovida.
Porque vive num mundo impiedoso e ainda assim, consegue ter vislumbres desta ainda existente grandeza do ser humano. Mesmo um sem casa e sem conforto.
Um rapaz dos seus 20 e meios anos que aparece. “ Boa noite. Antes de me julgarem um drogado, bêbedo ou ladrão, peço-vos um minuto da vossa atenção.
Eu e a minha mulher somos sem-abrigo à dois anos. Já tentámos de várias formas arranjar trabalho, mas não temos conseguido. Conto-vos isto, porque roubar, drogar-me ou beber até cair são contra os meus princípios e, então, sem outra opção tenho de mendigar.
Apesar de tudo, à 17 dias, tive a maior alegria que um homem pode ter. Fui pai… vejam, a minha linda mulher e o meu filho ali, do outro lado da rua. (emoção nos olhos) Por estar já a entrar em desespero e não saber o que mais fazer, é que vos pedi este momento. Na esperança que entendessem a minha situação e me pudessem talvez ajudar.”
Uma senhora (dona do seu nariz, cinquentona) interrompe: “ Pois filho! Mas não vou dar do dinheiro que ganho em dez horas de trabalho por dia. Trabalhe que tem bom corpo para isso!”
E ele continua: “Minha senhora, se pudesse trabalhava 20 horas todos os dias, mas infelizmente não me arranjo emprego em lado algum. De qualquer forma, fico muito agradecido pela vossa atenção. Um resto de boa noite.” E afasta-se, de cabeça erguida.
Uma rapariga entre a pequena multidão. Que pensa o que se passará com o mundo. Que tenta entender o porquê de tanta raiva. Que admira a dignidade daquele rapaz. Quantas pessoas sem-abrigo têm este controlo sobre a sua humanidade e esta tamanha humildade perante pessoas hipócritas (para quem a ajuda ao outro só é significativa no Natal)? É realmente admirável.
E o autocarro que chega. A pequena multidão que se encaminha para o seu conforto, a sua família, o seu canto… o seu tecto. Não mais se lembrando da pessoa que passou, com a família do outro lado da estrada, mas sem um tecto.
E a rapariga que apanha o autocarro. Não esquecendo aquele rapaz e as suas palavras. Remoendo pelo facto de não ter podido fazer algo para ajudar, e por não poder colocar bom senso na cabeça daquela mulher.
Cabisbaixa. Pensativa. Comovida.
Porque vive num mundo impiedoso e ainda assim, consegue ter vislumbres desta ainda existente grandeza do ser humano. Mesmo um sem casa e sem conforto.
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