Crazy land this one

Por amor a Deus, que os meus congéneres de um planeta distantíssimo da Terra me venham buscar. Já são horas.
O que se passa nesta pequena bola neste Sistema Solar? O que se passa com os terráqueos?

Estas teorias de relacionamentos, relações, ralações, não sei de todo dar-lhe nome. Talvez reacções? Porque para mim são isso mesmo. Reacções ao sexo oposto ou ao mesmo sexo. Olhares, um olá, um café, um cinema, namora-se. Não se conhece de antemão. Não se trabalha por uma estabilidade que é necessária para a boa manutenção da (no verdadeiro sentido da palavra) relação. Quando já não se quer, ou há problemas e ninguém se quer dar ao trabalho, quando se farta, cada um para o seu lado, ate a próxima reacção aparecer.

Como diria o inglês ‘whatta hell?!”. Cansa-me. A beleza, a inteligência, e tudo o que possa ser saturado como água com demasiado açúcar. Que se passa com estes a quem chama seres humanos? Agimos como animais cada vez com maior frequência. Temos reacções e não relações com inteligência, pés e cabeça. Não nos damos ao trabalho de mostrar as diferenças que temos para com os outros animais que apelidamos, cheios de orgulho, como “não pensantes”.

Para provar a minha teoria, que agimos por vezes mais como animais do que os próprios seres “não pensantes”, fui pesquisar naquele motor de busca fantabulástico que nomeiam de Google. E lá está. A coruja, animal fiel, “como acontece com muitas aves, os casais ficam juntos até o fim da vida”. Até um cão é mais fiel ao seu dono, do que o dono/a ao seu próprio companheiro/a.
Aqui a minha teoria não se trata de voltarmos ao tradicionalismo exacerbado que não permitia a alguém, a não ser perante viuvez, ter uma segunda pessoa com quem partilhar a vida. Só queria mesmo ver os terráqueos a ter atitudes disso mesmo, de tentativas pensadas e estruturadas de algo que se assemelhe a um compromisso. Seres com inteligência dada por Deus, ou por um Big Bang, qualquer que seja a teoria de criação da nossa espécie.


Custa muito tomar atenção à pessoa que se mostra interessante para nós? Custará tanto adiar um início de relação por dois meses, três meses? Conhecer a pessoa, ver se realmente vale a pena? Sair, sorrir, fazer rir, dar um pouco de nós antes de… ?

Ou teremos nós medo, nesta sociedade individualista, de nos expormos nem que seja apenas um pouquinho a alguém? Dar-lhe essa arma de nós. O risco realmente é grande, mas as vantagens são sobejamente maiores do que podemos calcular. Aprender a gostar e estar connosco próprios, e depois mostrar a alguém, seja em termos de busca de uma profunda amizade ou algo mais (estes conceitos que muitos acham que têm de se misturar, mas que muito pelo contrário não estão sempre interligados), o que somos, o que nos move, o nosso “porquê”. Partilharmos e partilharmo-nos. Não custa tanto como se julga.


Criem elos. Laços.

“ - Não, disse o principezinho. Eu procuro amigos. Que quer dizer "cativar"?
- É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Significa "criar laços...".
- Criar laços?
- Exactamente, disse a raposa. Tu não és ainda para mim senão um menino igual a cem mil outros meninos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo...” (Antoine de Saint-Exupéry em “O Principezinho”)



E nada mais tenho a acrescentar. Está tudo dito.

Estou pronta, meus caros conterrâneos extra-terráqueos. Podeis vir buscar-me.

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