Querido diário,
O quão inútil é falar para papel.
O papel não responde, não discute, não opina, não ajuda. E muito menos resolve. É um pedaço de algo em branco, que pintamos, moldamos com tinta. Azul, preta, às cores. O humor varia. As cores também. O papel continua liso. “Branco” mesmo que a sua cor não o seja. À espera que façamos dele um ser com uma parte do nosso existir. Alivia? Maybe. Mas por vezes precisamos de tanto mais que isso. Comunicação com um pedaço “alisado” de árvore? Não adianta de muito.
Se bem que com pessoas não me parece muito melhor. Tenho a (ligeira…?) impressão, que cada vez mais falar para/com os outros, é falar com objectos inanimados (portas entenda-se, na gíria popular). Respondem, é certo. Mas muitas vezes sem o nexo que quereríamos receber de volta (não dizem normalmente o chamado "pão com queijo"). Opinam sim, mas sem conhecimento de causa. Discutem baseando-se em estatísticas feitas à mão e em cima do joelho, mediante a sua (muito e imensamente vasta) experiência de vida. Apenas e só pelo que já passaram, normalmente não se lembrando que não é o “eu” mas a pessoa com quem estão a falar (quando deviam ouvir naqueles momentos) que precisam de apoio. Mesmo que seja daquele género silencioso. Mas omnipresente.
Pois certas pessoas que precisam, vão calando os gritos de desespero que querem sair, engolindo os nós que trazem as lágrimas. Pondo (dentro da medida do possível) tudo atrás das costas. Não para trás, porque o karma é uma p***, e normalmente volta para nos morder o rabo (e traz "chatos"). Não, apenas escondendo atrás das costas, para que depois (já no canto silencioso que é a vida rotineira) possam trazê-lo de novo, e fazer tudo o que estava entalado na garganta. Espernear, esbracejar, gritar, chorar, tudo o que os deixe vazios. Para depois recomeçar.
Mas falar? A comunicação no verdadeiro sentido da palavra está em extinção. E é uma pena. Porque os poucos que a tentam são constantemente rechaçados. Talvez incompreendidos. Talvez…
E é isto, querido diário.
(Se bem que não és uma folha que se traduziu de uma árvore, mas um mero documento digital que se traduz em números binários. E ainda assim, não muito diferente das pessoas.)
E é isto…
Nothing further.
O quão inútil é falar para papel.
O papel não responde, não discute, não opina, não ajuda. E muito menos resolve. É um pedaço de algo em branco, que pintamos, moldamos com tinta. Azul, preta, às cores. O humor varia. As cores também. O papel continua liso. “Branco” mesmo que a sua cor não o seja. À espera que façamos dele um ser com uma parte do nosso existir. Alivia? Maybe. Mas por vezes precisamos de tanto mais que isso. Comunicação com um pedaço “alisado” de árvore? Não adianta de muito.
Se bem que com pessoas não me parece muito melhor. Tenho a (ligeira…?) impressão, que cada vez mais falar para/com os outros, é falar com objectos inanimados (portas entenda-se, na gíria popular). Respondem, é certo. Mas muitas vezes sem o nexo que quereríamos receber de volta (não dizem normalmente o chamado "pão com queijo"). Opinam sim, mas sem conhecimento de causa. Discutem baseando-se em estatísticas feitas à mão e em cima do joelho, mediante a sua (muito e imensamente vasta) experiência de vida. Apenas e só pelo que já passaram, normalmente não se lembrando que não é o “eu” mas a pessoa com quem estão a falar (quando deviam ouvir naqueles momentos) que precisam de apoio. Mesmo que seja daquele género silencioso. Mas omnipresente.
Pois certas pessoas que precisam, vão calando os gritos de desespero que querem sair, engolindo os nós que trazem as lágrimas. Pondo (dentro da medida do possível) tudo atrás das costas. Não para trás, porque o karma é uma p***, e normalmente volta para nos morder o rabo (e traz "chatos"). Não, apenas escondendo atrás das costas, para que depois (já no canto silencioso que é a vida rotineira) possam trazê-lo de novo, e fazer tudo o que estava entalado na garganta. Espernear, esbracejar, gritar, chorar, tudo o que os deixe vazios. Para depois recomeçar.
Mas falar? A comunicação no verdadeiro sentido da palavra está em extinção. E é uma pena. Porque os poucos que a tentam são constantemente rechaçados. Talvez incompreendidos. Talvez…
E é isto, querido diário.
(Se bem que não és uma folha que se traduziu de uma árvore, mas um mero documento digital que se traduz em números binários. E ainda assim, não muito diferente das pessoas.)
E é isto…
Nothing further.
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Beijinhos