A falta que me fazes


Porque tudo é variável, eu e tu não fomos excepção. Por acaso do destino, circunstância ou mesmo por nossa causa, algo pelo qual se esperava tanto deu em nada.

Confesso que na minha cabeça tal coisa nunca fez real sentido. Deambulei por meses nesta dúvida, sem a entender ou desejar para mim. Eramos bons juntos. Em tudo. Sinto-me pequena a dizer isto, ao fim de tudo o que aconteceu e acontece entre nós. Mas fascinas-me. Por tudo o que representas. Pela tua força. Obstinação. Até pela tua tão característica teimosia. Tornas-me melhor. Mais ousada com a vida, menos conformista, mais motivada a ser o que realmente sou… ensinaste-me a ser completa comigo mesma.

Durante uns tempos, a tua vida separou-se da minha. Os caminhos foram em sentidos diferentes e agradeci por isso… era duro demais saber-te perto sem te ter. Depois do choque inicial de saber que partias sem data de regresso, a minha vida acostumou-se a mim comigo e sem ti. Restabeleceu-se uma certa normalidade que nunca entendi se era realmente normal. Faltava-me algo sim, iludindo-me talvez na altura pensando que era algo que não tu. Entrei naquela fase em que tudo são boas recordações em vez de mágoas, e onde o teu nome já não feria a alma, mas enchia o coração pelo tudo que tinhas sido.
Talvez por isso tenha restabelecido contacto contigo. E talvez por isso tudo tenha voltado ao início, ao saber que voltavas. Sinto-me de novo pequena quando te vejo. Sinto-me de novo em falta quando penso em ti. E apesar de teres seguido a tua vida e tomado um rumo novo, os nossos caminhos cruzaram-se e seguem juntos. Ainda hoje. Mesmo existindo uma terceira pessoa.
Pergunto-me várias vezes o que significo na tua vida. Para ser sincera só o soube enquanto estive contigo. Agora que estou sem estar, tudo me confunde. Não gosto da sensação. E gosto ao mesmo tempo. Pergunto-me se sou para ti uma porta de emergência de algo que tens e não te agrada realmente ou uma simples porta das traseiras por onde sai quem não quer ser visto.

Fascinas-me e assustas-me. Por tudo o que és. Por me fazeres sentir (alegremente) pequena. E por não saber se devo sentir isto, ou se como tu devo seguir o meu rumo e fechar de vez esta porta que teima em manter-se aberta ou até fechada mas com a chave a descoberto.
Preciso de uma resposta. Preciso de perceber.

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