Vitaminas para a praga
Estou triste. Estou triste e sinto-me só.
Só ouço o “tiquetar” do relógio. Tal é a solidão
silenciosa que me rodeia esta noite.
Estou triste porque desiludida com muita coisa. Coisas a
mais, a bem dizer.
O mundo é insípido. Mesquinho. Egocêntrico. Pouco humilde
e reconhecedor. Ah, não. Desculpem. My mistake. Isso tudo são as pessoas. O mundo
é bom, privilegia todos sem excepção de nenhum. Não julga, não condena, não discrimina
e não lança ao mundo a sensação de que este deve ser dividido por qualquer tipo
de tópico incriminatório geral e estupidamente desenhado por algo que se
intitula de ser vivo superior.
Sinto-me frustrada mais que tudo o resto. Já não sei
muitos dos sentimentos nobres do ser humano. Ou talvez os saiba, mas escondidos
no fundo de um eu que ando a descobrir aos poucos.
Sinto-me só num mundo de estúpidos. Desculpem-me a
franqueza, mas é tudo aquilo que enxergo ao olhar em volta. Como diria alguém que
não sei como nomear mas que exclamou a célebre expressão “estúpidos cheios de
certezas”. Esse sim seria um santo a quem eu poria velinhas aos domingos e
faria umas rezas de quando em vez.
Sinto falta daqueles sentimentos puros. Como os das
crianças. Gostava de o ser de novo. Todo o dia como uma eternidade aparente. Um
existir sem limiar de pobrezas, crises, e tudo mais que desgasta a existência.
Preservo em mim muito de tudo isso felizmente. Mais do
que a maioria provavelmente, se tal estatística fosse feita hoje em dia. O que
nos sobra da vivência que nos é oferecida, se não a nossa espontaneidade,
criatividade, compaixão, amizade?
Quando digo sentir falta desses sentimentos elevados, não
digo que eles já não existam em meu redor. Não, nada disso. Em meu redor
sobejam, para quem quiser do meu círculo fazer parte. Fico apenas triste por não
encontrar muitos mais seres vivos que os cultivem realmente no momento em que
deveriam entender o que são, neste mundinho a que chamamos planeta Terra.
I’m a dreamer. E sei que ainda verei o tempo em que não
existirão maquilhagens sociais que disfarçam o que de melhor o ser humano tem. A
sua espontaneidade. A sua individualidade.
Mas acima de tudo, sinto-me só. Neste mundo infestado. E sinto-me
triste, por apenas poder fazer a diferença em quem a deseja realmente para si.
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