E amanhã não seremos o que fomos / nem o que somos


Em quantas partes se parte o coração de alguém? Quanta quebra aguenta uma alma? Quantas vezes nos conseguimos levantar? Depois de uma queda? De duas? De três?
Não sei quantificar. Sei que todos, sem excepção, somos masoquistas. Tentamos. Tentamos de novo. Tal como Einstein dizia ser a definição da loucura. Tentar sempre da mesma forma, esperando um resultado diferente…
E uma outra vez. Vá, só mais esta. Pronto, prometo que esta sim é a última… um ciclo vicioso.


Chega disso. Há um tempo para lutar, um para esperar e outro para desistir. E as duas primeiras etapas do circuito estão à já muito pedaladas. Chega um momento em que é salutar que compreendamos isto mesmo. Que chegado o momento, há que arrumar as botas. Há que arranjar uma nova camisola favorita. Um novo rumo.

Somos masoquistas. Disso não há dúvidas. E como se tal não bastasse, somos totalmente avessos às mudanças.
Elas assustam-nos, tanto como o desconhecido. Tanto como o bicho papão que sempre imaginámos debaixo da cama ou dentro do armário.
Ora porque nos mete meto, relegamo-la para um plano longínquo. Para o fundo mais fundo do poço que somos nós.

Enquanto crianças tratamos a mudança como se de família se falasse. Sempre presente. Um dia somos astronautas, noutro somos médicos, futebolistas, bailarinas, princesas… Somos todo um mundo de mudança com menos de metro e meio. Gostamos um dia do Zé, no dia seguinte somos namorados do João. O João a seguir decide-se pela Maria em vez da Constança. E somos todos amigos ainda assim, ao final dos dias.

Em que altura das nossas vidas perdemos isso? Com que idade se vai toda aquela ingenuidade? Toda aquela humildade de sentir? Toda aquela afeição à mudança?
O que nos acontece quando crescemos? Tudo é desafio. Tudo é assustador. Tudo está fora do nosso controlo? É o que se pensa. Erradamente.

A mudança é uma marca registada, a meu ver, da nossa geração. Aliás, da nossa Humanidade. Graças à mudança evoluímos. Melhoramos. Não há que a temer. Tão pouco há que a perseguir.
Mas há que saber recebê-la. De braços abertos e um sorriso no coração.

Porque, por muitas partes em que o nosso se coração se parta ou por quantas a nossa alma se divida, somos o que somos devido a esse “bicho papão”. Esse que tememos, mas que é o nosso melhor amigo desde crianças.

Comentários

efemota disse…
acho que o medo da mudança é tradição portuguesa, mas agora pouco remédio há.

mas quando a mudança é reaprender, conhecer alguém novo, sentir outro toque pela primeira vez, isso é um bom e bonito desafio, e embora possa correr mal, há sempre um lado bom para recordar, mesmo desistindo, vão haver novas corridas a começar.

:)

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