FAQ's

É provável que seja isso. Ah, não sei se é. Sinto-me defunta. Talvez pela subida de escalão nesta injusta hierarquia que é a vida, mas sinto-me numa profunda estagnação. Ou se calhar ando assim pela mudança de estação.
É realmente curioso. A mudança do verão para o outono é a mudança que se sente mais contrastante. A que mais se sente e a que menos se deseja. E sei bem porquê. O verão representa a liberdade, a juventude e a abertura a um mundo luminoso em que os dias se passam rodeados de prazer. O outono traz a dura (e fria) realidade da vida sem sal a que a maioria se sente obrigado.
Não o sinto assim. Vejo o verão como a estação do parecer-ser. Todos queremos parecer o que não somos e passamos os meses antecedentes a lutar por um ideal que não nos encaixa. Todos queremos ser aquilo que não nos serve, como uma camisola XXL vestida a uma criança de 5 anos. Alguém apreende o ridículo de tudo isto?
O outono é o reconforto. Talvez seja loucura, mas sinto o outono como a mais pura das estações. O renascimento depois do frenesim das "mentiras veraneantes". Sou com a neblina, a brisa fresca matinal, o casaco que tão bem sabe vestir, mesmo aquele chuvisco que tanto irrita muita gente. No outono sinto-me no meu habitat natural. Caem as máscaras, perdem-se os sorrisos. Alguém que me explique o porquê de tudo isto.

Ah, não era nada disto que queria dizer. Raios. Sinto-me defunta. Sim. Sinto-me um inverno precoce em pleno verão. E não, não estou a tentar ser o que não sou. Estou realmente a confessar o que sou, e não o que pareço. Isso dava outra grande conversa.
Caramba. Que confusão. Preciso de alguma serenidade para lidar com o dia-a-dia. Não de férias, mas de algo desafiante. Algo fora de mim.

Talvez sejam devaneios de alguém a quem a idade está prestes a mudar. Ou talvez seja da iminência de mais uma mudança (ou duas). Seja o que for, que venha rápido. Preciso de uma ressurreição, como aquele outro senhor que se diz que, em tempos idos, se elevou dos mortos.


Como diria alguém que conheço: “És pior que os putos pequenos!”

- Pois sou. Quem senão eles está certo de que podemos ter sempre mais, (ter inclusivamente tudo), bastando para isso querer? Porque tenho de perder essa tão grande e forte ingenuidade? Alguém que me explique isto, porque para mim soa ridícula, a intransigente e(!) imaginária amarra da maturidade.

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