Talvez sonhando
Passearam algures. Se num jardim ou numa praia, não o sabiam dizer. Coração a mil, dúvidas no peito, respiração entrecortada por vagas palavras e sorrisos calados. Se ambos o queriam, nenhum realmente o demonstrara até ali. Ela, talvez pelo receio de um regresso a experiências passadas. Ele, ou pelo seu coração recém-cicatrizado, ainda dorido, ou pelo seu receio de macho. O receio do "não" ou do "talvez-que-não-vai-a-lado-algum".
Orgulhos. Receios. Quantos quase-amores não se perderam assim na história da Humanidade?
Passearam por uma longa hora. Precedida por gelados e conversas banalizadas pelo medo de que o abismo de cada um se fundisse numa ponte entre ambos.
... Tolos.
Praia, jardim, não o sabia dizer. Não pela falta de interesse. Não, não o sabia pois tudo era acessório. O essencial estava à vista. Ele e ela, descompassados por receios.
Tolos e orgulhosos, oh!, equação dos diabos.
"Gostava de saber de ti."
"Pergunta então."
"Não. Quero que sintas em mim a paz, a calma e o mundo em que queres procurar por abrigo. Quero saber-te. Descobrir-te."
"..."
A respiração aturdida. Pelo olhar. Pela frágil honestidade.
Passearam. Se na praia, jardim, ou num qualquer beco, não lhes interessava saber.
Sabiam-no. Sabiam-se enredados em algo maior que eles ou que os seus receios mesquinhos, sorrisos calados ou olhares sussurrantes. E diante deles, nada mais que um passeio e um seu silêncio repleto de banalidades.
Acima de tudo, queriam-se.
... Tolos. Orgulhosos. Emudecidos.
Tanto se perde, por medo de perder.
Orgulhos. Receios. Quantos quase-amores não se perderam assim na história da Humanidade?
Passearam por uma longa hora. Precedida por gelados e conversas banalizadas pelo medo de que o abismo de cada um se fundisse numa ponte entre ambos.
... Tolos.
Praia, jardim, não o sabia dizer. Não pela falta de interesse. Não, não o sabia pois tudo era acessório. O essencial estava à vista. Ele e ela, descompassados por receios.
Tolos e orgulhosos, oh!, equação dos diabos.
"Gostava de saber de ti."
"Pergunta então."
"Não. Quero que sintas em mim a paz, a calma e o mundo em que queres procurar por abrigo. Quero saber-te. Descobrir-te."
"..."
A respiração aturdida. Pelo olhar. Pela frágil honestidade.
Passearam. Se na praia, jardim, ou num qualquer beco, não lhes interessava saber.
Sabiam-no. Sabiam-se enredados em algo maior que eles ou que os seus receios mesquinhos, sorrisos calados ou olhares sussurrantes. E diante deles, nada mais que um passeio e um seu silêncio repleto de banalidades.
Acima de tudo, queriam-se.
... Tolos. Orgulhosos. Emudecidos.
Tanto se perde, por medo de perder.
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