#25deNovembro

O ano passado estive lá. Rua Augusta, sacos de cadáver. A dar a cara pela APAV e para assinalar o Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres, rodeei-me do mórbido para mostrar a todos que este é um tema a levar a sério. Muitas mulheres morrem todos os anos pela violência que lhes é infligida. Muitas mais sobrevivem, mas com cicatrizes que nenhum médico pode curar. Tal como ex-combatentes, a vida destas mulheres nunca mais é a mesma.

Este ano não há Rua Augusta ou sacos cadavér. Mas o problema mantém-se.
"Basta que me batas uma vez". Eu diria melhor, basta que me destrates uma única vez. Porque não é só o bater que deixa marcas profundas.
Não me quero refirir a este dia como um dia para a protecção das mulheres. Renomearia o dia talvez. " Dia Mundial pela Eliminação da Violência (contra-todos-e-qualquer-um)". Parece-me mais justo. Mais actual.
Porque, afinal de contas, todos precisamos de protecção. De apoio. Todos podemos ser vítimas. Não podendo evitar essa possibilidade, criemos mais para o pós-violência. Mais ajuda, mais escuta, menos estereótipo e menos inércia.

Neste dia que é para as mulheres, e para todos, paremos para reflectir nisto.

Basta que me batas uma vez.
Basta que me batas (uma vez).
Basta (que me batas uma vez).

Comentários

Unknown disse…
Corroboro das tuas palavras.

Mensagens populares deste blogue

On my own

Personal

Isso.